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O Túnel

O Túnel

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Indo pro úlimo lugar

Esqueça de lembrar

Não poderá olhar

E espere pro final

Túnel de vidro vai guiar

Seus passos pelo ar

Do líquido brotar

O alento especial

Vermelho Válvula

Que tipo de sentimento devo ter ao perceber,
Que o que é não passa de poeira do que foi?
E que saber isso não aumenta a minha chance,
De um dia no futuro, não o vir a ser?

Quanto idiotas sem pestanejar,
Com tantos motivos toscos sempre a postos a bradar,
E nenhum sinal no céu,
Nenhuma válvula.

Quantos mais espelhos terei eu de posicionar,
Até que algo reflita a luz que brilha sem cessar
Num tom vermelho,
Vermelho Válvula.

Eu sei, eu sei.
Eu sei?
Não sei.

Navio

Qual a profundidade de uma poça de chuva,
Que não me molha e não inunda?
Quanto tempo mais eu vou ter, pra descobrir se você,
Vai mesmo morar na Lua?

O barco passa bem longe,
E essa estrada é tão feia.
Igual cabana de camping,
Garrafa cheia de areia.

Sinto esse alívio sufocante,
Um alegria ruim.
Essa mudança constante,
Esse infinito no fim.

Sei que esse beijo, não vá…
Esse beijo não vale.
Eu também quero um navio,
Esse beijo, não vá…

Cinco Trinta Cinco

Cinco, trinta, cinco, ainda não sinto nada.
Cinco, trinta, cinco, ainda não sinto nada.
Quatro, vinte, já sabia, vi já que seria bom.
Dezenove, sete, três, decididamente não.

Sem poder acreditar, torcendo para errar no fim.
Muito sangue no olhar, tentando não deixar, assim.
Minha prece sem alter, querendo exterminar, vocês.
Num lance espetacular, de forma exemplar, de vez.

Cinco, trinta, cinco, ainda não sinto nada.
Cinco, trinta, cinco, ainda não sinto nada.
Quatro, vinte, já sabia, vi já que seria bom.
Dezenove, sete, três, decididamente não.

Odilon

Velho, abre a janela, pega a bicicleta e vai passear
Anda até a praça e tira as cartas para embaralhar
Senta, acende um cigarro e joga baralho até cochilar
Volta pra casa cansado e inventa uma história pra ninguém escutar

Velho, esquece a janela, quebra a bicicleta e não vai passear
Anda em volta da cama e fica doente pra alguém lhe escutar
Encontra a filha mais velha que chama um médico pra examinar
Velho é asilado e a filha convida o doutor pra jantar

DSI

Busca e fala mesmo sem ninguém
Reportado ao lado que convém
Dá dissimulado para quem vê
Derrubada a foto que retém

Noutra mão, o que não tem de cor
E antes que pudesse ver, estava pior

Reza pra escapar de onde vem
Encomenda a alma de refém
Teme o animal e o detém
Joga água e chama para o bem

Noutra mão, o que não tem de cor
E antes que pudesse ver, estava pior

Da sua parte

Um minuto pra arrancar dos seus
é difícil de tirar
Desconfio que um atraso assim
Não tem hora pra acabar

Eu notei que vinha
Num canto de olhar
O silêncio aponta
Não dá pra calar

Tanto tempo dedicado em vão
Eu guardei o seu lugar
Eu corria pra escapar de ver
Não podia aceitar

Deixa estar sozinha
Não pode evitar
A distância aperta
Vai estourar

Sopra essa dor pra fora!
Deixa de querer ser gentil
O amor que ficou
vai te eximir

O barulho pode ser você
ansioso a se explicar
O perigo é levantar e ver
O vazio a provocar

Se não quer, me diga
Eu posso aguentar
Eu sabia há dias
Eu Não vou chorar

Sopra essa dor pra fora
Deixa de querer ser gentil
O amor que ficou
vai te eximir

Diga que não sabia
Minta mas não diga que viu
O rancor que deixou
Ao se despedir

Quem não está nas falas

Quem não vai prometer
Que não vai mudar?
Tira a roupa escolhe com que jeito vai ficar
Mas são tão baratas
Que faz parecer
Que não vai sofrer

Quem não irá dizer
Que já vai parar
Mas são todas últimas promessas que vão dar
Falsas ameaças
Pra me convencer
Que é pra valer

Diz, você vai me ver
Quando exagerar?
A verdade é outra e eu não quero lhe contar
Tensa e angustiada
Dando um perceber
De acontecer

Se ao ter tido lá
Não querer voltar
Não ter mais certeza se é muito devagar
Olha atento a hora
Tenta não perder
Mas irá ceder

Fotossíntese

Tempo de plantar
Prevejo florescer
Vento e luz solar
E tempo despender

Mesmo se não vingar
Não vou me esquecer
Amanhã vou tentar
Pela segunda vez

Ah se eu penso em parar
Um empate arrancar
Ir tão rápido e não…
Nem notar

Eu volto a me apegar
Volto ao que é meu lugar
Sem ligar de prever
O final

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